
O IATA, instrumento implementado pelo governo do Rio de Janeiro para avaliar a transição agroecológica, começou a gerar resultados concretos com o reconhecimento de agricultores familiares e treinamento de técnicos da região da Bacia do Rio São João
O IATA, instrumento
No dia 31 de março em Silva Jardim (RJ), a Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) sediou o evento de entrega dos atestados e do boletim de produção dos agricultores agroecológicos que participaram do Instrumento de Avaliação da Transição Agroecologia (IATA).
O IATA é um mecanismo que diagnostica o avanço de propriedades rurais na adesão às práticas agroecológicas que buscam produzir alimentos de forma sustentável, respeitando o meio ambiente e valorizando o conhecimento dos agricultores. Ele é desenvolvido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro (Emater-Rio), pela Secretaria de Estado de Ambiente e Sustentabilidade (SEAS) e pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do RJ (SEAPPA).
Com o apoio do Projeto GEF Áreas Privadas, desde o ano passado a Emater-Rio tem trabalhado na capacitação e formação de profissionais para aplicar o IATA — técnicos responsáveis por realizar o diagnóstico de modo participativo e auxiliar produtores rurais no processo de transformar seus agroecossistemas, e por avaliar o nível de avanço que os (as) agricultores (as) já obtiveram neste processo. Mas a transformação não se limita aos aspectos de produção, a proposta do método é envolver técnicos e agricultores, e também resgatar relações nos núcleos sociais envolvidos, tanto com o ambiente como entre as pessoas.
“A gente vem conduzindo no estado o Protocolo de Transição Agroecológica e hoje, aqui neste evento, a gente consolidou uma etapa desse protocolo a partir da aplicação do IATA. Com isso, a gente pôde caracterizar e classificar algumas propriedades rurais segundo o sistema de produção e o manejo que eles adotam”, disse João Batista, gerente técnico de Planejamento e Metodologia da Emater-Rio.
Hoje, ao atingir as metas estipuladas pelo IATA, os agricultores recebem um atestado que confere reconhecimento institucional ao seu trabalho. Mas a ideia é que, em breve, o instrumento também ajude a criar políticas públicas que abram novas possibilidades de mercado para os alimentos produzidos em suas propriedades — como, por exemplo, a possibilidade de vender seus produtos para merendas escolares de redes municipais e estaduais de ensino.
“A ideia é chegar até os produtores que já fazem parte do trabalho da Associação Mico-Leão-Dourado, para a gente poder trazer esse trabalho e fortalecer essa questão da agroecologia dentro da agricultura familiar e da nossa produção. É muito importante poder resgatar todo esse trabalho que os agricultores tradicionais já têm, todo esse conhecimento, e unir isso com o nosso trabalho técnico”, explicou Cintia dos Santos Cruz, uma das técnicas certificadas para a aplicação do IATA.
O evento na AMLD marcou a entrega tanto dos primeiros atestados do IATA para agricultores da Bacia do Rio São João, como a entrega dos certificados para técnicos capacitados para a aplicação do instrumento na região.
“A Associação Mico-Leão Dourado executa o projeto GEF Áreas Privadas aqui no território, e está implantando 20 unidades demonstrativas de sistemas agroflorestais em pequenas propriedades de agricultura familiar. E essas unidades foram todas avaliadas pelo processo do IATA, e receberam um atestado que vai facilitar muito a continuidade deste trabalho”, explicou Luíz Paulo Ferraz, Secretário Executivo da AMLD.
Além da Emater-Rio e da AMLD, também estiveram presentes no evento representantes da Subsecretaria de Mudanças do Clima da SEAS e das secretárias municipais de agricultura dos municípios de Silva Jardim, Casimiro de Abreu, Rio Bonito e Macaé.
“Esse projeto do IATA, da transição agroecológica, foi um grande avanço para nós enquanto agricultores. Nós tivemos direcionamento dos técnicos da Emater, pessoas extremamente qualificadas, que mostraram a riqueza que a gente tinha na nossa terra e muitas vezes não conhecíamos”, disse Liviane Pires, agricultora familiar do assentamento de Cambucaes, em Silva Jardim.
Durante o evento, foram atestadas seis propriedades em Casimiro de Abreu, duas em Macaé, três em Rio Bonito e sete em Silva Jardim – todas de unidades demonstrativas do Projeto GEF Áreas Privadas. A ideia é que este processo de capacitação de técnicos e de incentivo à transição agroecológica na região da Bacia do Rio São João continue durante os próximos anos, incentivando o desenvolvimento econômico sustentável das comunidades agricultoras locais.
“Esse trabalho envolve levar para os agricultores e parceiros técnicas e o olhar da agroecologia. Isso é muito importante, especialmente em áreas de entorno de unidades de conservação, onde é necessário um manejo mais amigável, evitando o uso de agroquímicos. A gente busca trazer alternativas para que o agricultor possa se manter na atividade, continuar produzindo com qualidade e fortalecendo a economia local”, explicou o presidente da Emater-Rio, Marcelo Monteiro.