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  ESPÉCIES INVASORAS
Nas últimas décadas, vários países têm reconhecido o impacto de espécies exóticas como um grande problema ambiental e econômico. As espécies de saguis, Callithrix jacchus e Callithrix penicillata, são importantes exemplos brasileiros de vertebrados introduzidos. Apesar de serem nativos do Brasil, estes primatas são exóticos em vários estados do país. Na área de ocorrência do mico-leão-dourado, no estado do Rio de Janeiro, são encontradas populações formadas por estas duas espécies de saguis e seus híbridos. Potencialmente, pode haver competição interespecífica, porque o comportamento e a ecologia destas espécies introduzidas são parecidos com os do mico-leão-dourado, primata ameaçado de extinção.

Na região sudoeste da bacia do rio São João foi encontrada, predominantemente, a espécie C. jacchus. Na região central, a maioria dos espécimes capturados eram híbridos. Na região nordeste, a espécie C. penicillata foi predominante. Este padrão evidencia a ocorrência de múltiplas introduções e de certo grau de isolamento entre as populações. A média das proporções anuais de ocupação dos 27 fragmentos florestais monitorados entre 2002 e 2006 foi 0,80 ±0,084 (entre 0,69 - 0,88). Quanto mais próximo de áreas urbanas e estradas e maior o fragmento, mais provavelmente ele será ocupado por saguis. A densidade média de grupos de saguis foi estimada em 4,11 grupos/km2 (0,94 a 10,87 grupos/km2). A mediana de filhotes por grupo foi de 2 filhotes. A biologia populacional desses saguis e o padrão de ocupação dos fragmentos florestais indicam que essa população de saguis na bacia do rio São João está estabelecida e apresentou um crescimento durante o período de estudo. Apesar dos efeitos negativos da fragmentação do habitat, a persistência dos saguis pode ser garantida, principalmente, por fatores antrópicos, como múltiplas introduções e disponibilidade de recursos alimentares provenientes de árvores exóticas. Por esta razão, se faz urgente a tomada de decisão sobre a estratégia de manejo a ser adotada com o objetivo de diminuir a viabilidade desta população e mitigar seus impactos.

Callithrix jacchus e Callithrix penicillata são exóticos em vários estados da federação. Ambas espécies possuem a mais ampla distribuição geográfica do gênero e têm sido introduzidos em diversos ambientes naturais e antrópicos. É apresentada, a seguir, uma breve revisão de aspectos relevantes da ecologia destas espécies.

Distribuição original e Status
Callithrix jacchus ocupa os biomas caatinga, cerrado e mata Atlântica costeira do nordeste brasileiro, nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, se estendendo ao sul até os rios Grande e São Francisco (Hershkovitz, 1977; Figura 1.2). Através de introduções e acompanhando a destruição e degradação da Mata Atlântica costeira, C. jacchus passou a ocupar várias outras regiões ao sul do Rio São Francisco, como o estado de Sergipe e a região do Recôncavo baiano (Rylands, 1993). Coimbra-Filho et al. (1991) argumentam que esta região ao sul do Rio São Francisco era ocupada por Callithrix kuhli, o qual desapareceu devido à destruição da vegetação natural ao longo dos subsequentes séculos após o descobrimento do Brasil.

Callithrix penicillata possui uma vasta distribuição geográfica, ocorrendo tipicamente no cerrado, nos estados da Bahia, Minas Gerais, Goiás, no sudoeste do Piauí, Maranhão e norte de São Paulo, ao norte dos rios Tietê e Piracicaba (Hershkovitz, 1977; Figura 1.2). Ao norte, sua distribuição alcança o sul dos rios Grande e São Francisco. Entretanto, ambas espécies, C. jacchus e C. penicillata, foram introduzidas em margens opostas destes rios, formando grupos com indivíduos híbridos. Assim como C.jacchus, C. penicillata tem substituído outras espécies do gênero, sendo introduzido e ocupando áreas com habitat natural alterado. Um exemplo é sua presença em áreas da Zona da Mata, no sudeste e leste de Minas Gerais, domínio de C. geoffroyi e C. flaviceps (Rylands, 1993). Embora tenham uma ampla distribuição geográfica, sejam capazes de sobreviver em habitats extremamente degradados e terem sido introduzidos em varias regiões dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, algumas populações estão desaparecendo em áreas de sua distribuição geográfica original (Rylands, 1993).

No estado do Rio de Janeiro, C. jacchus e C. penicillata, têm sido introduzidos desde, pelo menos, o início do século XX. Presentemente, estas introduções são o resultado do tráfico de animais silvestres (Ruiz-Miranda et al, 2000). Pessoas que compraram estes animais e não os querem mais, os liberam em florestas e, principalmente, agentes governamentais responsáveis pela fiscalização do tráfico de animais apreendem grandes quantidades destes primatas e, sem local para destinação, também os soltam em florestas da região onde ocorreu a apreensão. Na área de estudo deste trabalho, situada no estado do Rio de Janeiro, estes primatas e suas formas híbridas ocupam os mesmos fragmentos florestais que o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), primata ameaçado de extinção. A interação entre estas espécies altera o padrão de comportamento do mico-leão (Ruiz-Miranda et al., 2006). Assim, C. jacchus e C. penicillata introduzidos na área de estudo são considerados espécies exóticas invasoras.

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Callithrix Jacchus Callithrix Jacchus

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foto: Mauricio Dias foto: Mauricio Dias

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